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Inclusão avança nas escolas brasileiras, mas formação docente ainda é desafio estrutural

  • 2 de abr.
  • 3 min de leitura


O Brasil registra avanços significativos na inclusão de estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades na educação básica, com mais de 92% desses alunos matriculados em classes comuns na rede regular de ensino em 2024, segundo dados do Censo Escolar organizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).


O recorte por estado revela, no entanto, diferenças importantes. De acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, produzido pelo Todos Pela Educação, o Paraná saiu de 49,8% de estudantes público-alvo da Educação Especial matriculados em classes comuns em 2014 para 68,1% em 2024 — um avanço de 18,3 pontos percentuais na última década. Apesar da evolução, o índice estadual permanece abaixo da média nacional, indicando que o desafio da consolidação da inclusão ainda é significativo no estado.


Além disso, o levantamento aponta que apenas 41% desses alunos, no país, têm acesso ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) previsto por lei — um componente essencial para promover aprendizagem efetiva e participação plena na escola.


Esse cenário evidencia um dos principais gargalos da educação inclusiva no Brasil: a formação específica de educadores e gestores para implementar práticas pedagógicas que transformem direitos legais em experiências concretas no cotidiano escolar.


Nesse contexto, o Narrativas da Infância, iniciativa da Escola Parlenda, única no país com Certificação Internacional pelo método Learning By Languages, promoveu o evento “Práticas para uma Educação Inclusiva”, voltado à formação de professores, educadores e gestores que atuam com a educação.


“O compromisso com a inclusão exige não apenas conhecimento da legislação, mas também sensibilidade para reconhecer e valorizar a diferença como parte constitutiva da experiência humana, e não como deficiência ou desvio. Isso transforma a escola em um espaço de pertencimento e participação para todas as crianças”, afirma Ana Paula Pamplona, pedagoga e especialista em psicopedagogia pela PUC-PR.


Ao longo de dois encontros on-line, os participantes foram convidados a refletir sobre marcos legais, cultura inclusiva e práticas didáticas que favorecem acessibilidade, escuta ativa das crianças e relações democráticas com famílias e profissionais da saúde.


O evento dialogou diretamente com os desafios apontados pelos dados nacionais e estaduais, reforçando a importância da formação continuada como estratégia para qualificar a inclusão desde a primeira infância.


No primeiro dia, o foco recaiu sobre os pressupostos da Educação Inclusiva, compreendendo a diferença como constitutiva da experiência humana e não como falta ou déficit. A partir dessa perspectiva, foram abordados os princípios éticos e políticos que orientam a inclusão nas escolas, dialogando com a história e a legislação educacional brasileira. O encontro também apresentou como conceitos: currículo emergente, pedagogia de projetos, escuta e alteridade se materializam na prática, considerando a diversidade de modos de ser, aprender e estar no mundo, além das especificidades da inclusão de crianças com deficiência e altas habilidades na Educação Infantil.


No segundo encontro, a discussão avançou para os fundamentos da Educação Inclusiva no cotidiano da Educação Infantil, aprofundando como se dão os processos de adaptação e acessibilidade curricular em um modelo centrado na criança. Foram apresentados os encaminhamentos adotados pela escola nas diferentes dimensões da jornada educativa — das situações de cuidado, como alimentação, sono e higiene, às estratégias de avaliação e documentação pedagógica. A formação também abordou o Atendimento Educacional Especializado (AEE), o Plano Educacional Especializado (PEI), a formação continuada dos profissionais, a relação com as famílias, o diálogo multidisciplinar com profissionais da saúde e a inclusão de adultos com deficiência que atuam na instituição, evidenciando uma cultura inclusiva construída de forma democrática e atenta às singularidades de cada criança.


 
 
 

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